quinta-feira, 22 de junho de 2017

Histórias de Rock Hudson - Parte 9

No começo de sua carreira Roy Harold Scherer Jr queria adotar o nome artístico de Roy Fitzgerald. Soava como algo aristocrático para ele. Seu agente Henry Wilson por outro lado achava o nome horrível. "Não há como imaginar um nome desses na marquise de um cinema de Nova Iorque. Vamos procurar por outra coisa". Henry Wilson era muito bom em criar nomes artísticos. Ele havia criado os nomes de Tyrone Power, John Saxon, Dean Jagger - todos nomes viris que ajudaram seus atores a se tornarem famosos.

Olhando para Roy, um homem alto e atlético, Henry pensou imediatamente no nome Rock (rocha). Era algo viril, muito adequado. Depois para o sobrenome lembrou do Rio Hudson, majestoso, indomável. Era assim que ele via Roy, um homem forte como uma rocha, uma força da natureza. E foi assim, no meio de uma reunião no escritório de Henry Wilson, que foi criado o nome de Rock Hudson, que seria uma das obras primas do agente. O próprio Rock inventaria outras versões divertidas sobre a criação de seu nome artístico, mas o fato é que tudo foi pensado mesmo por seu astuto e inteligente empresário.

Henry Wilson sabia que Rock era gay. Ao criar um nome tão masculino e viril ele deixou claro para Rock que ele jamais poderia tornar público sua opção sexual. "Isso está fora de cogitação. Vou tornar você um astro de Hollywood ao velho estilo. Um galã para as mulheres suspirarem no cinema! Tenha seus casos e seus amores, mas tudo escondido, sem jamais baixar a guarda para o público e a imprensa!". Esses conselhos de Henry Wilson seriam seguidos por Rock até praticamente o fim de sua vida. Só quando resolveu dizer publicamente que estava com AIDS, em 1985, com pouco tempo de vida pela frente, é que Rock resolveu assumir publicamente sua homossexualidade.

Em pouco tempo a fórmula criada por Henry Wilson deu certo. Rock Hudson acabou se tornando o ator de maior bilheteria dos estúdios Universal. Naquela época a popularidade de um astro era medida pelo número de cartas que recebia de seus fãs ao redor do mundo. Em uma publicação sobre cinema Rock tirou uma foto em cima de uma montanha de cartas enviadas até ele. Era uma prova de seu sucesso! Curiosamente um dos aspectos mais louváveis da personalidade de Rock também se sobressaiu nessa época: sua generosidade. No natal de seu primeiro grande ano como superstar ele comprou dezenas de presentes para distribuir a todos os empregados da Universal, desde os mais simples funcionários como porteiros e pessoal da limpeza, até os produtores, executivos da companhia. Na dia de natal Rock chegou no estúdio com um grande saco de presentes e tal como se fosse um Papai Noel moderno saiu dando presentes para todo mundo. Ele era o ator mais querido dos funcionários do estúdio e todos torciam para que seus filmes fizessem cada vez mais sucesso. Rock era considerado uma ótima pessoa com quem trabalhava ao seu lado.

Pablo Aluísio.

4 comentários:

  1. Cinema Clássico - Pablo Aluísio
    Histórias de Rock Hudson - Parte 9
    Todos os direitos reservados.

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  2. Que esse cara que escolheu o nome foi inspirado não há dúvida, mas que ficou um negocio meio gay esse negocio forte como uma rocha...
    Bom, essa coisa não vem de hoje.

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  3. O Henry Wilson também era gay!
    Os atores que ele nomeava tinham esse ponto em comum.

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