domingo, 2 de julho de 2017

Ingrid Bergman e o Oscar

A atriz sueca Ingrid Bergman (1915 -1982) foi uma recordista de indicações e premiações no Oscar. Ela foi uma das atrizes estrangeiras mais bem sucedidas da história de Hollywood. Além de ter se tornado uma das estrelas mais populares, também foi uma das mais prestigiadas pela Academia, tendo sido premiada por três vezes. Em 1944 foi premiada pela primeira vez por sua atuação no filme "À Meia Luz". Dirigida por George Cukor e atuando ao lado de Charles Boyer e Joseph Cotten, ela arrancou elogios da crítica. Com apenas 29 anos de idade ela conseguia chegar no auge de sua carreira como atriz. Um feito e tanto, bastante comentado na época.

As premiações porém não terminaram por aí. Em 1956 ela foi novamente premiada por sua atuação em "Anastácia, A Princesa Esquecida". Nessa produção elegante dirigida pelo cineasta Anatole Litvak, ela interpretava Anna Koreff, uma mulher que aparecia na imprensa mundial, muitos anos após a morte da família Romanov, o clã imperial russo, alegando ser a princesa Anastácia, cujo paradeiro desconhecido levantava inúmeras dúvidas e lendas se ainda estava viva ou não. O filme contava no elenco com o excelente Yul Brynner, interpretando o general Sergei Pavlovich Bounine. Afinal, ela era ou não a princesa desaparecida? Com classe e elegância, dignas de uma verdadeira aristocrata de sangue azul, ela realmente deixava todos em dúvida. Curiosamente Ingrid não pôde comparecer na noite de premiação. Quando seu nome foi anunciado quem subiu ao palco para receber a estatueta foi seu colega e amigo Cary Grant.

O terceiro e último Oscar dado a Ingrid Bergman veio por sua atuação em "Assassinato no Expresso Oriente" de 1974. Exatamente 30 anos depois de vencer pela primeira vez ela era novamente ovacionada pela Academia de Hollywood. O filme era uma adaptação tardia do famoso livro de suspense escrito pela aclamada escritora Agatha Christie. O elenco era todo formado por grandes nomes de Hollywood em sua era de ouro, contando ainda com Lauren Bacall, Anthony Perkins e Richard Widmark, entre outros. Ingrid dessa vez foi premiada na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. Ela interpretou a personagem Greta Ohlsson. Uma dama estrangeira, uma caracterização aliás bem adequada para ela, uma sueca nascida no norte frio do continente europeu.

Fora as três premiações, Ingrid também foi indicada por excelentes atuações em outros clássicos do cinema. Em "Por Quem os Sinos Dobram", o grande clássico baseado na obra de Ernest Hemingway, que trazia ainda o mito Gary Cooper como seu par romântico, ela deu vida a uma mulher corajosa que sobrevivia no meio do inferno da guerra civil espanhola. Igualmente foi indicada pela inspirada atuação no épico "Joana D'Arc" (1948) onde interpretava a famosa guerreira medieval francesa que se tornaria santa ao morrer na fogueira da inquisição. Ingrid era bem mais velha que a Joana da história, porém ninguém pareceu se importar muito com esse detalhe.

Também por "Os Sinos de Santa Maria" (1945) recebeu nova indicação. Essa era outra produção com tema religioso. Por fim em 1978 a atriz ainda conseguiria uma sétima indicação ao Oscar pelo filme "Sonata de Outono", um drama sensível dirigido pelo mestre (e seu conterrâneo sueco) Ingmar Bergman. Foi uma grata surpresa ser indicada já no final de sua carreira, quando ela começava a se preparar para uma merecida aposentadoria. De fato esse foi seu último trabalho no cinema, embora não tenha sido seu último trabalho como atriz. Ela voltaria para uma despedida final no telefilme "Golda" onde ela interpretava a famosa personagem da história de Israel Golda Meir. Nesse mesmo ano ela faleceria, sem ter ido embora para a Suécia, onde queria passar seus últimos dias, mas feliz por ainda ter a chance de desenvolver mais um belíssimo trabalho de atuação.

Pablo Aluísio.

Um comentário:

  1. Cinema Clássico - Pablo Aluísio
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